segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Discurso de Apresentação da Candidatura



"Sempre chegamos ao sítio onde nos esperam "(epígrafe do livro a Viagem do Elefante de J. Saramago)

Quero em primeiro lugar agradecer a vossa presença, caros amigos, caros convidados, comunicação social, companheiros da CDU.

Este é acto singelo de apresentação dos primeiros nomes das listas que, em Outubro, disputarão os principais órgãos autárquicos, Câmara e Assembleia, e as Freguesias da Cidade.

É da praxe o porquê? Porquê candidatarmo-nos em situação tão crítica da vida nacional, quando a política e os políticos estão no “ground zero” da credibilidade aos olhos da opinião pública?

E a resposta é simples: é um imperativo da consciência de cada um de nós, é um dever não nos demitirmos em termos de intervenção, porque a CDU tem em termos europeus, nacionais e locais alternativas e propostas que configuram uma vida melhor para os povos da Europa, para os portugueses e para os lacobrigenses, abrangendo aqui todos os que são de Lagos, os que aqui vivem ou trabalham, ou que nos visitam.

A CDU nas autarquias tem acumulado uma experiência e um capital de honestidade, trabalho e competência. A sua participação a nível local nos diversos órgãos autárquicos do concelho de Lagos desde 1976, em órgãos executivos ou deliberativos, é a ilustração do que atrás dissemos.

Naturalmente, que a resolução de muitos dos problemas com que o nosso município se debate não são da competência da autarquia, mas sim do poder central. Mas é dever dos decisores a nível local o traçar das linhas estratégicas, apontar caminhos de futuro, em estreita comunicação com a população e gerir os nossos recursos ao serviço de todos.

O actual modelo de desenvolvimento para o Algarve é baseado apenas no turismo surgindo recentemente a “moda “ dos PIN’S, mais concretamente no segmento Resort. Tentaremos em breve palavras reflectir em que é que este modelo de desenvolvimento tem contribuído para o bem-estar dos Algarvios e dos lacobrigenses em particular.


O Algarve é, a seguir a Lisboa e à Madeira, a região com o mais elevado PIB per-capita, acima da média nacional em cerca de 5,4%. Não obstante, o distrito de Faro estar, «do ponto de vista relativo», bem colocado no que concerne à riqueza criada, o facto é que detém cerca de 66.000 pobres, realidade muito influenciada por situações gravosas de que se destacam os baixos salários e as baixas reformas, uns e outras inferiores à média nacional em cerca de 13% e 16% (referimo-nos trabalhadores do sector privado e pensões da Segurança Social).

Este é um lado pelo qual podemos visualizar o Algarve. Há, contudo, um outro lado que importa salientar e que é o seguinte: o distrito de Faro, no conjunto das cinco regiões do continente, é aquele onde os rendimentos do trabalho por conta própria são os mais elevados, cerca de 30% relativamente à média nacional.
Quanto ao rendimento não monetário e a outros rendimentos o Algarve está, também, na chamada linha da frente, com valores superiores à média nacional em cerca de 20% e 15%, respectivamente. Tudo isto para dizer o quê?Para dizer que estamos numa região profundamente assimétrica, região que ocupa o 1.º lugar no que concerne ao rendimento do trabalho por conta própria, ao rendimento não monetário e a outros rendimentos, tudo isto a par de situações de pobreza geradas, fundamentalmente, pela existência de milhares de trabalhadores por conta de outrem com baixos salários, mais de 50% com contratos precários e, igualmente, de milhares de reformados com baixas reformas.

Com um desemprego muito superior à média nacional, o Algarve e no caso vertente Lagos, tem que inflectir este modelo de desenvolvimento, acrescendo que a volatilidade dos fluxos turísticos pode em qualquer momento comprometer esta “monocultura” do turismo.

Lagos está desde sempre ligada ao mar. E, em nosso entender, assim deve continuar. Desde as actividades tradicionais ligadas à pesca até aos centros de investigação científica e técnica, da cultura, ao lazer e ao desporto náutico, deve-se fortalecer essa ligação primordial e natural.

Mas o concelho tinha também uma componente de ruralidade, hoje em dia posta de parte, mas que em outros moldes, mais actuais e voltados para as necessidades locais é necessário ressuscitar. Falamos da agricultura biológica, do investimento nas primícias e nos frutos secos.
Também as actividades tradicionais, quer na doçaria, no artesanato local e genuíno, na rica gastronomia da serra e da beira-mar são vectores que interessam valorizar.

Estes factores de desenvolvimento ligam-se estreitamente com apostas no turismo de natureza e turismo cultural, se formos a tempo de inverter a tendência actual de construção desenfreada que hipotecou já em termos irreversíveis alguns dos mais emblemáticos locais do nosso Concelho.

Também a reabilitação do Centro Histórico, que de há várias anos a esta parte vimos defendendo, só é possível, com vontade política, em primeiro lugar, e com um forte investimento público em articulação com os moradores, comerciantes e senhorios interessados em recuperar os seus imóveis. A morte do Centro Histórico, o coração da cidade, levará à morte ou ao declínio de toda a cidade.

Quando passeio por esta nossa cidade acode-me muitas vezes ao pensamento as primeiras ocupações humanas, no monte Molião e o deslumbramento que deveriam sentir ao olhar a baía, ao nascer do sol; nas suas costas a serra, ao fundo, vigilante, protectora; em baixo a ribeira estrada líquida e fonte de riqueza. Desde essa época, os nossos antepassados sempre se esforçaram por deixar às gerações seguintes, um lugar melhor para viver. Não queiramos ser nós os primeiros a inverter esta tendência.

As recentes notícias das consequências a curto prazo da subida das águas do mar (estimada entre 3m e 3,5m) causada pelo degelo das calotes polares, vem pôr na ordem do dia, com especial relevo para cidades costeiras como Lagos, a necessidade imperiosa de travar os efeitos das alterações climáticas com políticas imediatas em que o poder local, por mais perto das populações, deve ter um papel importante.


As pessoas abordam-nos não raras vezes, para falar das suas preocupações, dos seus anseios e desabafam…”a CDU faz falta na Câmara”. Nós concordamos e por isso repetimos:
Sempre chegamos onde somos esperados…
Se os eleitores de Lagos quiserem e nos esperarem chegaremos à Câmara Municipal.
Se assim não o entenderem a nossa jornada continua, sem desfalecimento na busca por uma vida melhor para os lacobrigenses… e podem ter a certeza que chegaremos.



Biblioteca Municipal de Lagos

16 de Maio de 2009

2 comentários:

  1. Fixe. Desejo-te o maior sucesso.
    António Guimarães

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  2. O blog está muito bom. Vamos conseguir porque Lagos precisa.
    Francisco Silva

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